Red Bull: uma empresa de energéticos ou de marketing?

Vem entender com detalhes a estratégia da Red Bull pra ser uma marca tão chamativa.

A Red Bull parou de fabricar seus próprios energéticos. Simplesmente acabou.

Calma, principalmente você que já ficou preocupado com a próxima lata de Red Bull. Essa história é antiga, mas ainda surpreende muita gente — e a Encore Marcas conta para você como funciona esse modelo de negócio.

Embora a Red Bull seja mundialmente conhecida pelos seus energéticos, a empresa não concentra sua operação na fabricação do produto. A produção do líquido, o envase, a logística e outras etapas relacionadas à fabricação são realizadas por empresas parceiras, como a austríaca Rauch, que mantém uma relação contratual com a Red Bull.

Ou seja: a Red Bull terceiriza boa parte da produção do energético.

Mas por que uma empresa faria isso?

Porque isso permite que ela concentre seus esforços naquilo que, ao longo dos anos, se tornou um dos seus maiores diferenciais: marketing, mídia, eventos e construção de marca.

E quando falamos em Red Bull, estamos falando de uma empresa que levou o conceito de marketing para um nível completamente diferente.

Boa parte dos recursos gerados pela operação é direcionada para ações de marketing e construção de marca. É por isso que temos a sensação de que a Red Bull está em todos os lugares.

Na Fórmula 1, por exemplo, a empresa poderia simplesmente investir milhões em patrocínios, colocando sua marca em carros e eventos.

Mas ela foi além: criou sua própria equipe para disputar o campeonato.

No futebol, a estratégia é parecida. A Red Bull possui clubes como o RB Salzburg, na Áustria, o Red Bull Bragantino, no Brasil, e o New York Red Bulls, nos Estados Unidos.

E não para por aí.

A empresa já esteve envolvida em alguns dos eventos esportivos mais impressionantes do mundo. Um dos exemplos mais conhecidos foi o projeto em que o paraquedista Felix Baumgartner saltou da estratosfera, em uma ação que chamou a atenção do mundo inteiro.

Você consegue imaginar a quantidade de pessoas que assistiram, comentaram e compartilharam aquele acontecimento?

E, no meio de tudo isso, qual era a marca que estava no centro das atenções?

Red Bull.

Skate, snowboard, motocross, downhill, Fórmula 1, futebol e diversos outros esportes — principalmente os que envolvem velocidade, risco e grandes doses de adrenalina — fazem parte do universo da marca.

É uma estratégia muito diferente de simplesmente colocar um anúncio dizendo: “Compre Red Bull”.

A empresa cria acontecimentos que as pessoas querem assistir, acompanhar e compartilhar. E, como consequência, a marca aparece naturalmente no centro dessas experiências.

Por isso, existe uma discussão interessante: a Red Bull é uma empresa de energéticos que faz marketing ou uma empresa de marketing que vende energéticos?

É claro que o energético continua sendo um produto extremamente importante para a operação. Mas o grande diferencial competitivo da Red Bull está na força da marca e na capacidade de transformar essa marca em desejo, identificação e experiência.

E não adianta dizer apenas: “Ah, mas o Red Bull tem um sabor muito melhor e diferente dos outros”.

Pode até ser uma preferência de cada consumidor. Mas fabricar uma bebida energética é algo que outras empresas também conseguem fazer.

Construir uma marca que seja reconhecida mundialmente, associada a esportes radicais, desempenho, aventura e experiências únicas é outra história.

O produto pode ser copiado. A marca, quando bem construída e protegida, é muito mais difícil de replicar.

E é justamente aqui que entra um ponto que interessa diretamente à propriedade intelectual.

Somente no Brasil, a Red Bull possui mais de 700 processos relacionados ao registro e à proteção de suas marcas perante o INPI. Isso acontece porque uma empresa que construiu uma marca tão valiosa precisa proteger os diferentes elementos que compõem seu patrimônio.

Não estamos falando apenas do nome “Red Bull”.

Existem diferentes marcas, logotipos, elementos visuais, produtos, serviços, projetos e outros ativos associados ao negócio que podem demandar proteção jurídica.

A lógica é simples: quanto maior o valor de uma marca, maior também é a importância de protegê-la.

A Red Bull mostra, na prática, que uma marca não precisa ser apenas o nome estampado na embalagem de um produto.

Ela pode se transformar em um dos principais ativos de uma empresa.

E talvez essa seja a parte mais interessante dessa história.

A Red Bull não ficou mundialmente conhecida apenas porque vende energético. Ela construiu uma identidade tão forte que conseguiu transformar sua marca em parte de uma cultura, de um estilo de vida e de uma série de experiências que vão muito além da bebida que está dentro da lata.

No fim das contas, fica a pergunta:

A Red Bull é uma empresa de energéticos que faz marketing ou uma empresa de marketing que vende energéticos?

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