“Harry O Bruxo” é um cantor baiano que viralizou na internet pelos vídeos com dancinha e o rosto idêntico ao personagem do Harry Potter.
Recentemente ele anunciou nas suas redes sociais que teria que parar de usar esse nome publicamente, e que mudaria para “Bruxo Cantor”.
O motivo: foi notificado pela Warner Bros por uso indevido de marca.
Era só questão de tempo. Ele acatou com o pedido da Warner porque, do contrário, a Lei de Propriedade Industrial poderia ser aplicada nesse caso.
Alguns exemplos do que poderia acontecer se não existisse essa lei:
– Algumas centenas de pessoas abririam um e-commerce com o nome e a logo da Nike;
– Existiriam milhares de variações de “MrBeast” no YouTube;
– Ou até ousariam produzir um genérico de água, açúcar e corante com a logo da Coca-Cola estampada.
Já pensou a confusão no mundo inteiro se isso fosse possível?
Uma marca precisa ser ÚNICA, sem cópias idênticas ou “parecidas”.
E isso acende outro alerta sobre o uso de variações de uma marca já consolidada.
Nos comentários do vídeo de retratação do Bruxo Cantor, vêm as “sugestões” de nomes…
“Reri”, Reury” ou “Réuri”
“É só colocar esse, eles não podem fazer nada”.
A Lei de Propriedade Industrial também dá respaldo jurídico para as marcas registradas que forem copiadas parcialmente:
– Imitação gráfica: “COLA-COCA”
– Imitação semântica: “Revista Luiza” (cópia da Magazine Luiza)
– Imitação fonética: “NIQUE”;
Por esses motivos, as sugestões nos comentários também não resolvem o problema.
Outro erro que muito empresário comete é escolher um nome genérico ou evocativo para a sua empresa.
– Uma padaria numa esquina chamada “Padoca da Esquina”
– Um mercado de cidade pequena chamado “Mercado [nome da cidade]” e um carrinho de compras na logo
– “Mercadão dos Azulejos” para uma loja de azulejos
A justificativa para esse tipo de estratégia é que facilita ao consumidor entender o que a empresa vende.
Nesse caso fica a reflexão: como você vai se destacar no mercado se existem mais 100 empresas com o mesmo nome no Brasil?
Depois de ler tudo isso você ainda pode estar pensando: “os vídeos do sósia não prejudicavam ninguém, nem a Warner”
Seu pensamento é válido, é o pensamento comum da população quando vê um gigante derrubando um anão.
O objetivo aqui é passar uma visão mais técnica sobre marcas.
– E se o sósia se envolve numa polêmica grande? É o nome do personagem da Warner em jogo.
– E se o sósia decide começar a vender bonequinhos dele, aproveitando a visibilidade na internet? A Warner vai disputar mercado com a cópia.
– E se as entregas atrasam ou não chegam? Os consumidores podem vincular ao nome da Warner.
Via de regra, quando for criar uma marca para uma empresa ou na internet, escolha uma que ainda não exista, que seja forte, nada descritivo com seu ramo de atuação, e o principal, registre ANTES mesmo de começar a vender algo, porque trocar tudo depois dá muito mais trabalho.
